segunda-feira, 13 de julho de 2009

Comunidade escolar debate sobre sexualidade e drogas

Comunidade escolar debate sobre sexualidade e drogas
SINIMBU > OBJETIVO É MELHORAR DIÁLOGO ENTRE OS PAIS E PROFESSORES
Alunos da Escola N. S. da Glória realizaram apresentação após as palestras




As escolas que abrangem o núcleo Centro de Sinimbu, do programa A União Faz a Vida, realizaram um debate na tarde e noite de sexta-feira para discutir sobre Orientação Sexual e Drogas, no ginásio da Emef Nossa Senhora da Glória. Este foi o principal objetivo do 2º Encontro de Formação e Assessoria do programa desenvolvido pelo Sicredi Vale do Rio Pardo, em parceria com a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e Secretaria Municipal de Educação. A coordenadora regional do programa, Luci Abreu, explica que a proposta teve como objetivo permitir um melhor diálogo entre os pais e os professores, e é considerada inovadora no Rio Grande do Sul. “Este é o primeiro caso no Estado de formação conjunta, de pais, líderes de turma e professores, dentro do programa A União Faz a Vida”, afirma. Para Elizabete da Costa, professora da Unisc que falou sobre adolescência e sexualidade, os pais precisam estar atentos às mudanças de comportamento dos filhos. “A adolescência é o momento em que os pais precisam estar mais atentos. Nossos educadores podem e devem participar deste período delicado, em que formamos valores como ‘quem sou, o que pensam de mim, para onde vou’. É justamente por se relacionarem com os filhos durante o período letivo que eles, os professores, são grandes aliados. O que precisamos é melhorar e fortalecer cada vez mais o diálogo entre família e escola, formando uma rede de proteção aos nossos adolescentes contra as drogas e doenças sexualmente transmissíveis”, salienta. INFLUÊNCIA Elizabete lembra também a importância de saber com quem o filho se relaciona. “O grupo tem grande poder de influência nesta fase. Não são raros os casos em que nossos filhos acabam reféns das atitudes coletivas e trilham o caminho errado”, revelou a orientadora educacional aos pais. São também os grupos que, de acordo com Flávio da Costa, representante do Conselho Antidrogas de Santa Cruz do Sul, podem levar os adolescentes a conhecerem os entorpecentes. “A droga está mais perto do que se imagina, muitas vezes dentro de casa”, disse aos pais. Para ele, o álcool é uma das drogas mais difundidas culturalmente. “Hoje se fala muito no crack, que resulta em um transtorno social imediato e é muito mais veloz que o álcool, nos efeitos e consequências. É preciso, sim, combater esta droga que vicia nas primeiras vezes em que é usada.Mas a sociedade precisa lembrar também de combater aquelas que não estão tão explícitas, como as prescritas em consultório.” Depois das palestras, diversas apresentações foram realizadas pelos alunos do turno inverso, como foi o caso do Grupo Instrumental da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora da Glória.

Aumentam licenças por dependência

Aumentam licenças por dependência
A cada três horas, uma pessoa é afastada do trabalho para tratar a dependência química no País, revela relatório do Ministério da Previdência Social.
Apenas em janeiro deste ano, foram concedidas 2.506 licenças, por mais de 15 dias, para dependentes do consumo de álcool, maconha, cocaína, anfetamina.
O número reflete apenas uma das faces da influência das drogas no mercado de trabalho, já que expressa o problema só entre os que têm carteira assinada no Brasil.
Os dados mostram ainda que a dependência está em alta entre empreendedores, médicos, advogados, economistas, lixeiros, professores, funcionários públicos, todos do grupo cada vez mais amplificado nas estatísticas de transtornos de saúde desencadeados pelo uso de entorpecentes.
Enquanto no ano passado os peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) concederam 31.721 afastamentos para funcionários dependentes, em 2007 foram 27.517 licenças, o que indica um aumento de 15%.
"O aumento nos números é multifatorial", avalia o médico Jarbas Simas, presidente da Sociedade Paulista de Perícias Médicas.
"De uma maneira geral, a crise pela qual passa a sociedade, a econômica inclusive, está levando o ser humano a procurar rotas de fuga e isso reflete em maiores índices da dependência química.
Por outro lado, os métodos de diagnósticos, o controle das empresas com relação aos funcionários dependentes e a conscientização de que o assunto deve ser tratado como doença, também foi ampliado, o que influencia no aumento", afirma Simas.
Fonte: Jornal da Tarde Fernanda Aranda

terça-feira, 7 de julho de 2009

Calmantes e Sedativos


Calmantes e Sedativos


Definição:
Sedativos é o nome que se dá aos medicamentos capazes de diminuir a atividade do cérebro, principalmente quando este se encontra em estado de excitação acima do normal.
O termo sedativo é sinônimo de calmante ou sedante. Quando o sedativo é capaz de diminuir a dor, recebe o nome de analgésico. Como o sedativo é capaz de afastar a insônia, uma vez que ele produz o sono, é chamado de hipnótico ou sonífero. Quando um calmante tem o poder de atuar sobre estado de ansiedade é denominado ansiolíticos. As principais substâncias calmantes pertencem ao grupo dos barbitúricos.

Histórico:
Essas drogas foram descobertas no começo do século XX, e diz a história que o químico europeu que fez a síntese de uma delas pela primeira vez foi comemorar em um bar. Lá, encantou-se com uma garçonete, linda moça que se chamava Bárbara. Em um acesso de entusiasmo, o cientista resolveu dar ao composto o nome de barbitúrico.

Formas de Uso:
Os calmantes são consumidos pela boca (via oral) quando apresentado sob forma de comprimido, cápsula ou xaropes. Existe também o consumo por injeção intramuscular ou intravenosa, quando apresentado em forma de ampola. As formas injetáveis são restritas ao uso hospitalar.

Dados Estatísticos:
Os barbitúricos eram usados de maneira até irresponsável no Brasil. Vários remédios para dor de cabeça além da aspirina, continham também um barbitúrico qualquer. O uso abusivo que se registrou – muita gente usando grandes quantidades, repetidamente – de medicamentos, como o Optalidon, e o Fiorinal, levou os laboratórios farmacêuticos a modificarem suas fórmulas, retirando os barbitúricos de sua composição.
No I Levantamento Domiciliar sobre o uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil, realizado no ano de 2001, constatou-se que a estimativa de uso sem receita médica desses medicamentos era de menos de 1%, tais como: Gardenal, Pentotal e Comital.

Efeitos Agudos:
Essas drogas dificultam os processos de aprendizagem e memória, alterando também funções motoras e prejudicando atividades como dirigir automóveis e outra que exigem reflexos rápidos. Com doses um pouco maiores do que as recomendadas pelos médicos, a pessoa sente-se como se estivesse embriagada. A fala fica “enrolada” e a pessoa pode sentir dificuldade para caminhar. Os barbitúricos, principal grupo de calmantes e sedativos, são capazes de deprimir várias áreas do nosso cérebro. Como conseqüência disso, as pessoas podem ficar mais sonolentas, sentindo-se menos tensas, com sensação de calma e relaxamento. As capacidades de raciocínio e de concentração também são afetadas.

Efeitos Crônicos:
Um aspecto importante quanto aos efeitos tóxicos refere-se ao uso dessas substâncias por mulheres grávidas. Essa droga tem potencial para provocar sinais de abstinência em recém nascidos de mães que fizeram uso durante a gravidez, como dificuldades respiratórias, irritabilidade, distúrbio do sono e dificuldade de alimentação.
Existem evidencias que os barbitúricos levam as pessoas a um estado de dependência. Com o tempo, se a dose for aumentada há desenvolvimento de tolerância. Esses fenômenos se desenvolvem com maior rapidez quando doses grandes são usadas desde o início. Quando a pessoa está dependente de calmantes e deixa de tomá-los, passa a ter síndrome de abstinência, cujos sintomas vão desde insônia, irritação, agressividade, delírios, ansiedade, angústia, até convulsões generalizadas. A síndrome de abstinência requer tratamento médico e hospitalização, pois há risco da pessoa falecer.

A vida após o crack


Entenda as mudanças que um ex-usuário de droga tem de enfrentar para se manter longe do vício. Henrique vive longe do crack. Há dois anos e meio, encerrou uma história de crises familiares, furtos, anos de consumo de múltiplas substâncias e de sonhos vendidos a traficantes. Hoje, aos 26 anos, reconstrói a vida social e profissional.

A triste experiência de relatar um passado de envolvimento com o crack é também um privilégio. A maioria das pessoas que entra em contato com a droga não poderá contar uma história de superação. Suas vidas ficarão pelo caminho, perdidas para o vício ou para o tráfico.

A assistente social do Centro de Reabilitação Jovens Livres, Cíntia Gomes, calcula que dos mais de 100 residentes que o centro recebeu em 2008, cerca de 90% procuraram tratamento contra o crack. Entre o total de residentes, menos de 10% terminaram o programa de reabilitação.

Há sete anos no Centro de Recuperação Nova Esperança (Cerene) de Blumenau, o psicólogo especialista em Dependência Química e Comunidade Terapêutica Osvaldo Christen Filho diz com segurança que um dependente de crack que não busca nem ganha ajuda provavelmente morrerá em cinco ou seis anos:

– Ele vai ser morto pelo tráfico ou vai definhar.

Henrique sabe que escapou da morte. A decisão de internar-se, o ex-viciado diz ter tomado ao perceber os prejuízos à saúde. Desde então, não teve recaídas. Orgulhoso com a nova vida que conquistou, se ressente pela que deixou para trás. Quando começou a usar crack, Henrique participava ativamente da Congregação Cristã do Brasil.

– Eu era um líder jovem, o meu nome já estava em pauta para a parte administrativa da igreja. É difícil retomar aquilo que eu tinha, e isso me incomoda – diz o ex-craqueiro.

Se pudesse voltar no tempo, Henrique sabe exatamente em que momento poderia ter revertido o rumo que sua vida tomou.

– O meu desejo era ter voltado aos 15, 16 anos. Meu desejo era que não tivesse acontecido nada disso – afirma o jovem, que aos 12 anos começou a fumar maconha.

Por causa da droga, levava objetos de casa e quando adolescente chegou a ser internado 45 dias no Centro de Internação Provisória (CIP), por furto.

– Mas isso faz muito tempo – comemora.

Questionado sobre o passado, o ex-viciado prefere voltar-se para o futuro e para projetos profissionais.

Henrique usou crack por mais de dois anos, diariamente. Antes de permanecer quatro meses em um centro de recuperação, passou 20 dias no Hospital Santo Antônio para desintoxicação. No começo do tratamento, a equipe do Conselho Municipal de Entorpecentes (Comen) e o pai do ex-viciado foram até a boca de fumo recuperar o violino que o ex-craqueiro havia entregue ao tráfico. O silêncio atual do instrumento é motivo de frustração para o jovem, que chegou a dar aulas particulares.

– O meu violino está estragado e não tenho condições de consertar. O que ganho hoje é para ajudar em casa – lamenta Henrique, que trabalha com eventos.

O nome do entrevistado foi trocado, em observância ao Guia de Ética, Qualidade e Responsabilidade Social da RBS




Autor: Mariana Furlan
Fonte: Jornal de Santa Catarina

Crack debatido com crianças em Três Coroas

Crack debatido com crianças em Três Coroas

Em Três Coroas, no Vale do Paranhana, a prefeitura resolveu se aliar à prevenção contra o crack empunhando a mais poderosa das armas: informação. No pavilhão da Escola Municipal Rui Barbosa, em Três Coroas, crianças e adolescentes cheios de dúvidas tiveram uma aula diferente e queriam saber tudo sobre o crack. No município de 23 mil habitantes, a secretária municipal de Educação e Cultura, Tânia Haack, determinou: não importa como, mas o assunto deve ser levado à sala de aula e alertar as 3,5 mil crianças de seis a 15 anos que estudam em uma das 10 escolas do município.

Em uma dessas palestras, realizada na semana passada, houve a presença de pessoas que tiveram experiências com a droga e estavam ali para contar o que viveram, o que instigou a curiosidade dos adolescentes da Escola Rui Barbosa.

– O crack está presente na sociedade e temos o dever de prevenir, de levar o assunto para a sala de aula – considera a secretária.

De acordo com especialistas, o foco da informação deve estar no alerta sobre as sequelas provocadas pela droga. Foi o que ocorreu na atividade promovida para a sétima série da Escola Municipal Frederico Ritter. Após ouvir relatos de experiências reais, as aulas de ciências foram reformuladas: os alunos passaram a estudar a influência das drogas no corpo humano.

Especialistas dizem que a escola tem um papel importante na prevenção, mas que é em casa que os pequenos devem ter esclarecidas as primeiras dúvidas.




Autor: Letícia Barbieri
Fonte: Zero Hora

terça-feira, 23 de junho de 2009

Conheça mais sobre a Prevenção ao Uso Indevido de Drogas

Conheça mais sobre a Prevenção ao Uso Indevido de Drogas

Prevenir é saúde
Existem muitas maneiras do jovem se prevenir do uso de drogas, e é desejável que ele assim o faça. O estágio de desenvolvimento físico e mental do jovem o torna especialmente vulnerável aos efeitos negativos e perigosos que o uso de drogas podem trazer. A melhor maneira de não vir a ser um usuário de qualquer tipo de droga, é não experimentá-la. Manter-se firme no propósito de cuidar da sua saúde e não colocá-la em risco em função da curiosidade.
Para isso você precisa evitar o contato com a droga. Pesquisas mostram que jovens que usam drogas possuem mais amigos que também usam drogas dos que os jovens que não usam.
Isto é óbvio, pouca gente gosta de usar drogas sozinho.

Atitude
Os que agem assim, muitas vezes estão passando por um processo depressivo, uma fase em que se sentem tristes e angustiados, ou que está com tanta vontade de usar que não quer repartir com ninguém, ou ainda, por que têm medo de que as pessoas saibam que usam drogas ou vergonha do estado em que ficam quando intoxicados. Nesses casos, o uso de drogas pode piorar ainda mais o estado dessa pessoa, levando à depressão e ao isolamento ou à restrição das amizades àquelas pessoas que também usam drogas. Juntamente com uma intensificação da freqüência do uso levando a uma dependência daquela droga que ele tanto gosta de usar.

Dependência
A dependência de drogas é um estado terrível. É aquela fase em que a alegria e excitação da curiosidade é substituída pela necessidade e pelo sofrimento pela falta da droga. Sim, por que por mais que a pessoa use, chega uma hora em que ela tem que parar, por que tem que estudar, trabalhar, dormir, sair de casa. E ela aos poucos vai deixando estas outras coisas, que antes eram o centro da vida dela, e vai se afastando da família e vai se isolando. A vida deste jovem passa a ser conseguir dinheiro para comprar, depois arranjar um lugar para usar e curtir o barato e depois dormir para se recuperar e no dia seguinte começar tudo de novo. Nestas horas ela está precisando de um tratamento para parar de usar a droga, pois ela perdeu o controle e precisa de ajuda para recuperá-lo.

SE ESSA JÁ NÃO FOSSE UMA RAZÃO SUFICIENTE PARA ALGUÉM EVITAR DROGAS, HÁ OUTRAS AINDA MAIS CONVINCENTES

Intoxicação
Grande parte dos problemas relacionados ao uso de drogas são conseqüências do estado de intoxicação. Isto inclui sofrer e provocar acidentes, quedas, afogamentos; ter seu rendimento na escola ou no trabalho diminuído, envolver-se em brigas e na prática de sexo inseguro, forçar ou ser forçado a manter relações sexuais, sofrer uma overdose, suicidar-se e assim vai, uma série enorme de problemas e riscos. Fora os problemas com a família e com a justiça ou com o traficante.

Amigos
Isto não que dizer que você não deve deixar de ter amizade com alguém que use drogas, se a maior parte do tempo ele não está intoxicado, ele provavelmente age como qualquer outro amigo seu que não usa drogas. Você pode tentar ajudá-lo. Pode ser alguém que se deixou levar pela curiosidade. Converse com ele se ele sabe dos riscos que ele corre. As vezes ele está com algum problema que não esteja conseguindo lidar e esteja procurando uma forma de tornar as coisas mais suportáveis. Se for isso, você pode escutá-lo e ver se dá para ajudar de alguma forma. Dificuldades emocionais são comuns na adolescência. Você também passará ou está passando pelas suas. Agora você deve evitar de sair na balada com ele e sua turma, por que provavelmente vai ter droga e sempre tem alguém querendo que você experimente para ver qual é.

Ele, assim como você, se sente que está muito difícil de agüentar, procure seus pais, um amigo, um professor, o pastor, o padre, enfim, uma pessoa que você confie e fale das suas dificuldades, peça ajuda. Não pense que a droga vai te ajudar, ela pode até trazer uma alívio momentâneo mas não é a solução. E devemos aprender a lidar com nossos problemas, teremos que fazer isso nossa vida toda.

FATORES DO PRÓPRIO INDIVÍDUO

De proteção

De risco

Habilidades sociais

Insegurança

Cooperação

Insatisfação com a vida

Habilidades para resolver problemas

Sintomas depressivos

Vínculos positivos com pessoas, instituições e valores

Curiosidade

Autonomia

Busca de prazer

Auto-estima desenvolvida


FONTE

Neste quadro dá para ver que as pessoas que se integram mais ao grupo de amigos sem, no entanto, se deixar dominar pela opinião destes e que possui melhores sentimentos sobre si mesmas, acabam tendo menos chance de vir a usar drogas. Isto ilustra o que estávamos falando, o que traz a droga para perto é nossa curiosidade, nosso sofrimento ou nossa busca de um prazer que nos faça esquecer os problemas, as tristezas e a nossa insegurança.

Bem, já deu para entender que algumas características individuais podem facilitar ou dificultar que eu venha a mudar a minha idéia e tope experimentar alguma droga.

Mas temos que lembrar também, que as pessoas são diferentes não só porque nascem diferentes. Somos diferentes porque nascemos em famílias específicas e somos criados de acordo com os valores da nossa família. Então grande parte das nossas características e de como lidamos, inclusive com as drogas, vem da nossa educação em casa, na escola e na comunidade onde vivemos.

Família
Nossa família é muito importante em nossa formação educacional, moral e cultural.

Veja os jeitos que as famílias tem de funcionar que aumentam ou diminuem as chances dos filhos usarem ou não drogas.

FATORES FAMILIARES

De proteção

De risco

Pais que acompanham as atividades dos filhos

Pais fazem uso abusivo de drogas

Estabelecimento de regras de conduta claras

Pais sofrem doenças mentais

Envolvimento afetivo com a vida dos filhos

Pais excessivamente autoritários ou muito exigentes

Respeito aos ritos familiares

Famílias que mantêm uma “cultura aditiva” - Cultura aditiva é a forma de viver adotada por uma família que não suporta esperas. As resoluções são dadas como formas de impedir a reflexão.

Estabelecimento claro da hierarquia familiar

Pais que acompanham as atividades dos filhos

Pais fazem uso abusivo de drogas


FONTE: PREVENÇÃO DO USO INDEVIDO DE DROGAS: Fatores de Risco e Fatores de Proteção. Helena M. B. Albertani; Sandra Scivoletto; Maria de Lurdes S. Zemel

Escola
A escola também possui um papel extremamente importante em como você vai encarar a questão das drogas. Porque pode ser de vários modos, concorda? Você pode não querer usar drogas, mas nem por isso ter preconceito de quem usa. Você pode, o que é ótimo para se prevenir das drogas, se informar sobre elas. Saber dos seus riscos e reforçar sua convicção de que uma vida saudável é mais importante do que seguir um pequeno grupo que se arrisca sem pensar nos danos que está se provocando.

Estas são as características encontradas na relação que os estudantes estabelecem com a escolas e o risco de seus alunos usarem drogas.

FATORES NA ESCOLA

De proteção

De risco

Bom desempenho escolar

Baixo desempenho escolar

Boa inserção e adaptação no ambiente escolar

Falta de regras claras

Ligações fortes com a escola

Baixas expectativas em relação às crianças

Oportunidades de participação e decisão

Exclusão social

Vínculos afetivos com professores e colegas

Falta de vínculos com as pessoas ou com a aprendizagem

Realização pessoal

Possibilidades de desafios e expansão da mente

Descoberta de possibilidades (e “talentos”) pessoais

Prazer em aprender

Descoberta e construção de projeto de vida

FONTE: PREVENÇÃO DO USO INDEVIDO DE DROGAS: Fatores de Risco e Fatores de Proteção. Helena M. B. Albertani; Sandra Scivoletto; Maria de Lurdes S. Zemel

Evitando o primeiro uso
Alguns jovens, porém, já experimentaram drogas e outros são usuários regulares de algumas delas. Nestes casos prevenir não é mais evitar o primeiro uso, e sim evitar que este uso aumente e se torne mais intenso e prejudicial, ou diminuir as chances da pessoa vier a sofrer algum tipo de problema em decorrência do uso de drogas. Alguns usuários conseguem desenvolver uma relação de menos risco quando do uso da droga. Isto também é importante, informar-se implica em aprender em como diminuir ao máximo o risco de conseqüências desagradáveis em função do uso da droga. O exemplo mais claro desse pensamento é o “se beber não dirija”. Esta frase passa a ser importante principalmente após os 18 anos no Brasil, que é quando o jovem passa a ter o direito legal de comprar bebidas alcoólicas e a tirar carteira de motorista. Mas, lembre-se! ao estar no mesmo carro que alguém que bebeu e está dirigindo você está correndo os mesmos riscos que ele. Outro risco importante é o de contaminação por doenças que são transmitidas através dos apetrechos usados para consumir a droga, como seringas, agulhas, canudos etc. Sabe-se que as Hepatites do tipo B e C e a Aids podem ser transmitidas por esta via quando estes equipamentos estão infectados e são compartilhados pelas pessoas que usam drogas. Portanto, nunca compartilhe seringas, agulhas e outros equipamentos usados para usar drogas.

A quarta categoria de fatores importantes tem a ver com a relação que o jovem estabelece com as leis e com os valores sociais da sua comunidade.

VALORES SOCIAIS

De proteção

De risco

Respeito às leis sociais

Violência

Credibilidade da mídia

Desvalorização das autoridades sociais

Oportunidades de trabalho e lazer

Descrença nas instituições

Informações adequadas sobre as drogas e seus efeitos

Falta de recursos para prevenção e atendimento.

Clima comunitário afetivo

Falta de oportunidades de trabalho e lazer.

Consciência comunitária e mobilização social


FONTE: PREVENÇÃO DO USO INDEVIDO DE DROGAS: Fatores de Risco e Fatores de Proteção. Helena M. B. Albertani; Sandra Scivoletto; Maria de Lurdes S. Zemel

Pode-se notar no quadro acima que as pessoas que tendem a respeitar mais as leis e participar mais ativamente da comunidade onde vivem, apresentam um menor comportamento de uso de drogas.

Para finalizar gostaríamos apenas de reforçar a idéia de que a prevenção ao uso de drogas e suas conseqüências é sempre melhor e mais barato do que o tratamento. Ao cuidar da sua saúde e buscar ser uma pessoa informada e participativa na sua família, escola e comunidade você não estará ajudando somente a você, você será um exemplo para seus amigos e alguém que eles possam contar quando tiverem alguma dúvida e precisarem de orientação.

: PREVENÇÃO DO USO INDEVIDO DE DROGAS: Fatores de Risco e Fatores de Proteção. Helena M. B. Albertani; Sandra Scivoletto; Maria de Lurdes S. Zemel

Desconstruindo estereótipos e reconhecendo demandas

Desconstruindo estereótipos e reconhecendo demandas

Precisamos repensar, com todo cuidado, a relação entre drogas, violência e juventude considerando a complexidade que se coloca nesta questão.Apenas drogas e violência já é um tema carregado de representações sociais que necessitam ser desconstruídas. Vocês sabiam que as pesquisas em psicologia social apontam que o estereótipo do antigo binômio pobreza = violência foi substituido no imaginário social pelo estereótipo drogas = violência ?

Ainda temos um terceiro desafio que é a automática associação entre drogas e juventude e também entre violência e juventude. Com este discurso e por esta lógica simplista acabamos colocando uma marca negativa na juventude brasileira: basta ser jovem para ser ou drogado, ou violento ou ambos drogado e violento.

Identificamos como especialmente tendenciosa e falsa a pergunta: - os jovens estão tão violentos porque se drogam? Ou (pior ainda) – se drogam porque querem ser violentos?

Neste momento histórico em que o Governo Federal dirige-se aos jovens, através da SENAD neste Mundo Jovem, a primeira palavra que dirigimos aos jovens brasileiros leitores desta página é de que acreditamos em sua força transformadora, em sua luta por um mundo melhor e pela construção de um Brasil cada vez mais brasileiro. Saibam que enquanto nos países do primeiro mundo a juventude é uma categoria dentre as minorias, no ano de 2007, no Brasil, a população de jovens será a mais numerosa e isto representa uma imensa força: a força jovem que representa o nosso grande capital e que, portanto, deve constituir o grande investimento de nossas politicas públicas. E é neste espírito que me dirijo em primeiro lugar aos jovens, mas também aos profissionais e, em especial, aos gestores das políticas publicas com este convite e apelo: vamos mudar esta mentalidade que associa juventude a drogas e violência e reconheçamos nos jovens o que este País tem de melhor!

Neste contexto, sim, pensemos , e muito seriamente: Como ajudá-los a enfrentar todos os apelos e mesmo a imensa pressão existente na nossa sociedade para o consumo de drogas? Esta é a verdadeira questão: Como diminuir os apelos da cultura aditiva e da cultura de violência que caracterizam a sociedade atual? Refiro-me, aqui, às tantas violências as quais os jovens estão expostos no seu percurso cotidiano: a violência da mídia que transmite informações enganosas e trazidas pelos seus próprios ídolos; a violência da falta de controle na compra das drogas lícitas; a violência do mercado de distribuição das drogas ilícitas que os recruta sutil e irremediavelmente para o mundo do tráfico- onde desnecessário dizer- a violência é a lógica e a cultura vigente.

Penso que a primeira violência a ser combatida é a do discurso da juventude violenta e drogada que gera distanciamento dos jovens, impedindo que os conheçamos em sua natureza sonhadora e que os comprendamos em suas expressões por mudanças.

Em minha experiência como terapeuta de adolescentes e como pesquisadora na área, estou convencida que o jovem ao buscar as drogas tem uma demanda e esta não é de destruição nem de si mesmo e nem do outro ou da sociedade. Não acredito que a drogadição, mesmo em seu grau mais comprometido, seja um comportamento destrutivo. Reconheço no ato de drogar-se o valor de um ato que tem um sentido o qual precisa ser reconhecido e conhecido: em primeiro lugar pelo próprio usuário (seja ele jovem ou adulto), mas também por aqueles que o cercam. Quando nos debruçamos sob este prisma da compreensão e do valor deste sintoma como comunicação - geralmente bloqueada por outras vias - já fizemos a mudança necessária e passamos a estar de outra forma com o jovem: como um sujeito que nos demanda, que nos pede que nos fala de si e de nossa relação com ele.

Compreender e atuar nesta área nos exige, antes de tudo, um crédito nos potenciais da juventude e um compromisso com eles na busca dos seus sonhos. Mas quais são os sonhos da juventude brasileira?

Pensemos: será que esta anestesia com as drogas, em vez de uma busca pela violência ou de uma alienação face às dificuldades que enfrentam, não seria um grito de alerta para que os adultos reparem melhor nas suas necessidades e anseios? Pensemos diferente: consumir drogas não é uma doença; é, antes, um sintoma. Um sintoma é um sinal; é uma comunicação; seria como a febre que nos indica que algo não está bem. Neste sentido não é uma doença. Não é um problema mas é uma equivocada busca de solução . Neste sentido, buscar drogas seria uma espécie de febre da alma ou do coração ou da emoção.

Se pensamos de forma diferente, percebemos diferente e podemos, então, agir de forma diferente: visualizamos, assim, uma postura mais clínica e compreensiva e a pergunta já é outra: - Do que sofrem os jovens que buscam as drogas? O que reivindicam? Quais denúncias expressam através deste ato? Por quais mudanças estão lutando? Para desafiar os próprios jovens leitores do Mundo Jovem, lanço a minha hipótese: os jovens denunciam a violência vivida em seu dia que pode ser em diferentes níveis e de naturezas diversas. Finalizo desafiando os leitores a prosseguirem nesta reflexão levantando suas próprias hipóteses sobre quais seriam as violências vividas que justificam a demandas dos jovens pelas drogas e sua relação com as tantas violências das quais são alvo, mas não são apenas vítimas pois que estão reagindo.

Maria Fátima Olivier Sudbrack
Doutora em Psicologia ( Université de ParisXIII) e Pós-doutora em Psicossociologia ( Université de Paris VII)
Professora Titular do Departamento de Psicologia Clinica/Instituto de Psicologia /Universidade de Brasília
Pesquisadora do CNPq
Coordenadora do PRODEQUI- Programa de Estudos e Atenção às Dependências Químicas/PCL/IP/UnB
Psicóloga clinica, terapeuta de familias e de adolescentes