segunda-feira, 13 de julho de 2009
Comunidade escolar debate sobre sexualidade e drogas
SINIMBU > OBJETIVO É MELHORAR DIÁLOGO ENTRE OS PAIS E PROFESSORES
Alunos da Escola N. S. da Glória realizaram apresentação após as palestras
As escolas que abrangem o núcleo Centro de Sinimbu, do programa A União Faz a Vida, realizaram um debate na tarde e noite de sexta-feira para discutir sobre Orientação Sexual e Drogas, no ginásio da Emef Nossa Senhora da Glória. Este foi o principal objetivo do 2º Encontro de Formação e Assessoria do programa desenvolvido pelo Sicredi Vale do Rio Pardo, em parceria com a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e Secretaria Municipal de Educação. A coordenadora regional do programa, Luci Abreu, explica que a proposta teve como objetivo permitir um melhor diálogo entre os pais e os professores, e é considerada inovadora no Rio Grande do Sul. “Este é o primeiro caso no Estado de formação conjunta, de pais, líderes de turma e professores, dentro do programa A União Faz a Vida”, afirma. Para Elizabete da Costa, professora da Unisc que falou sobre adolescência e sexualidade, os pais precisam estar atentos às mudanças de comportamento dos filhos. “A adolescência é o momento em que os pais precisam estar mais atentos. Nossos educadores podem e devem participar deste período delicado, em que formamos valores como ‘quem sou, o que pensam de mim, para onde vou’. É justamente por se relacionarem com os filhos durante o período letivo que eles, os professores, são grandes aliados. O que precisamos é melhorar e fortalecer cada vez mais o diálogo entre família e escola, formando uma rede de proteção aos nossos adolescentes contra as drogas e doenças sexualmente transmissíveis”, salienta. INFLUÊNCIA Elizabete lembra também a importância de saber com quem o filho se relaciona. “O grupo tem grande poder de influência nesta fase. Não são raros os casos em que nossos filhos acabam reféns das atitudes coletivas e trilham o caminho errado”, revelou a orientadora educacional aos pais. São também os grupos que, de acordo com Flávio da Costa, representante do Conselho Antidrogas de Santa Cruz do Sul, podem levar os adolescentes a conhecerem os entorpecentes. “A droga está mais perto do que se imagina, muitas vezes dentro de casa”, disse aos pais. Para ele, o álcool é uma das drogas mais difundidas culturalmente. “Hoje se fala muito no crack, que resulta em um transtorno social imediato e é muito mais veloz que o álcool, nos efeitos e consequências. É preciso, sim, combater esta droga que vicia nas primeiras vezes em que é usada.Mas a sociedade precisa lembrar também de combater aquelas que não estão tão explícitas, como as prescritas em consultório.” Depois das palestras, diversas apresentações foram realizadas pelos alunos do turno inverso, como foi o caso do Grupo Instrumental da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora da Glória.
Aumentam licenças por dependência
A cada três horas, uma pessoa é afastada do trabalho para tratar a dependência química no País, revela relatório do Ministério da Previdência Social.
Apenas em janeiro deste ano, foram concedidas 2.506 licenças, por mais de 15 dias, para dependentes do consumo de álcool, maconha, cocaína, anfetamina.
O número reflete apenas uma das faces da influência das drogas no mercado de trabalho, já que expressa o problema só entre os que têm carteira assinada no Brasil.
Os dados mostram ainda que a dependência está em alta entre empreendedores, médicos, advogados, economistas, lixeiros, professores, funcionários públicos, todos do grupo cada vez mais amplificado nas estatísticas de transtornos de saúde desencadeados pelo uso de entorpecentes.
Enquanto no ano passado os peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) concederam 31.721 afastamentos para funcionários dependentes, em 2007 foram 27.517 licenças, o que indica um aumento de 15%.
"O aumento nos números é multifatorial", avalia o médico Jarbas Simas, presidente da Sociedade Paulista de Perícias Médicas.
"De uma maneira geral, a crise pela qual passa a sociedade, a econômica inclusive, está levando o ser humano a procurar rotas de fuga e isso reflete em maiores índices da dependência química.
Por outro lado, os métodos de diagnósticos, o controle das empresas com relação aos funcionários dependentes e a conscientização de que o assunto deve ser tratado como doença, também foi ampliado, o que influencia no aumento", afirma Simas.
Fonte: Jornal da Tarde Fernanda Aranda
terça-feira, 7 de julho de 2009
Calmantes e Sedativos
Calmantes e Sedativos
Definição:
Sedativos é o nome que se dá aos medicamentos capazes de diminuir a atividade do cérebro, principalmente quando este se encontra em estado de excitação acima do normal.
O termo sedativo é sinônimo de calmante ou sedante. Quando o sedativo é capaz de diminuir a dor, recebe o nome de analgésico. Como o sedativo é capaz de afastar a insônia, uma vez que ele produz o sono, é chamado de hipnótico ou sonífero. Quando um calmante tem o poder de atuar sobre estado de ansiedade é denominado ansiolíticos. As principais substâncias calmantes pertencem ao gru
po dos barbitúricos.
Histórico:
Essas drogas foram descobertas no começo do século XX, e diz a história que o químico europeu que fez a síntese de uma delas pela primeira vez foi comemorar em um bar. Lá, encantou-se com uma garçonete, linda moça que se chamava Bárbara. Em um acesso de entusiasmo, o cientista resolveu dar ao composto o nome de barbitúrico.
Formas de Uso:
Os calmantes são consumidos pela boca (via oral) quando apresentado sob forma de comprimido, cápsula ou xaropes. Existe também o consumo por injeção intramuscular ou intravenosa, quando apresentado em forma de ampola. As formas injetáveis são restritas ao uso hospitalar.
Dados Estatísticos:
Os barbitúricos eram usados de maneira até irresponsável no Brasil. Vários remédios para dor de cabeça além da aspirina, continham também um barbitúrico qualquer. O uso abusivo que se registrou – muita gente usando grandes quantidades, repetidamente – de medicamentos, como o Optalidon, e o Fiorinal, levou os laboratórios farmacêuticos a modificarem suas fórmulas, retirando os barbitúricos de sua composição.
No I Levantamento Domiciliar sobre o uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil, realizado no ano de 2001, constatou-se que a estimativa de uso sem receita médica desses medicamentos era de menos de 1%, tais como: Gardenal, Pentotal e Comital.
Efeitos Agudos:
Essas drogas dificultam os processos de aprendizagem e memória, alterando também funções motoras e prejudicando atividades como dirigir automóveis e outra que exigem reflexos rápidos. Com doses um pouco maiores do que as recomendadas pelos médicos, a pessoa sente-se como se estivesse embriagada. A fala fica “enrolada” e a pessoa pode sentir dificuldade para caminhar. Os barbitúricos, principal grupo de calmantes e sedativos, são capazes de deprimir várias áreas do nosso cérebro. Como conseqüência disso, as pessoas podem ficar mais sonolentas, sentindo-se menos tensas, com sensação de calma e relaxamento. As capacidades de raciocínio e de concentração também são afetadas.
Efeitos Crônicos:
Um aspecto importante quanto aos efeitos tóxicos refere-se ao uso dessas substâncias por mulheres grávidas. Essa droga tem potencial para provocar sinais de abstinência em recém nascidos de mães que fizeram uso durante a gravidez, como dificuldades respiratórias, irritabilidade, distúrbio do sono e dificuldade de alimentação.
Existem evidencias que os barbitúricos levam as pessoas a um estado de dependência. Com o tempo, se a dose for aumentada há desenvolvimento de tolerância. Esses fenômenos se desenvolvem com maior rapidez quando doses grandes são usadas desde o início. Quando a pessoa está dependente de calmantes e deixa de tomá-los, passa a ter síndrome de abstinência, cujos sintomas vão desde insônia, irritação, agressividade, delírios, ansiedade, angústia, até convulsões generalizadas. A síndrome de abstinência requer tratamento médico e hospitalização, pois há risco da pessoa falecer.
A vida após o crack
Entenda as mudanças que um ex-usuário de droga tem de enfrentar para se manter longe do vício. Henrique vive longe do crack. Há dois anos e meio, encerrou uma história de crises familiares, furtos, anos de consumo de múltiplas substâncias e de sonhos vendidos a traficantes. Hoje, aos 26 anos, reconstrói a vida social e profissional.
A triste experiência de relatar um passado de envolvimento com o crack é também um privilégio. A maioria das pessoas que entra em contato com a droga não poderá contar uma história de superação. Suas vidas ficarão pelo caminho, perdidas para o vício ou para o tráfico.
A assistente social do Centro de Reabilitação Jovens Livres, Cíntia Gomes, calcula que dos mais de 100 residentes que o centro recebeu em 2008, cerca de 90% procuraram tratamento contra o crack. Entre o total de residentes, menos de 10% terminaram o programa de reabilitação.
Há sete anos no Centro de Recuperação Nova Esperança (Cerene) de Blumenau, o psicólogo especialista em Dependência Química e Comunidade Terapêutica Osvaldo Christen Filho diz com segurança que um dependente de crack que não busca nem ganha ajuda provavelmente morrerá em cinco ou seis anos:
– Ele vai ser morto pelo tráfico ou vai definhar.
Henrique sabe que escapou da morte. A decisão de internar-se, o ex-viciado diz ter tomado ao perceber os prejuízos à saúde. Desde então, não teve recaídas. Orgulhoso com a nova vida que conquistou, se ressente pela que deixou para trás. Quando começou a usar crack, Henrique participava ativamente da Congregação Cristã do Brasil.
– Eu era um líder jovem, o meu nome já estava em pauta para a parte administrativa da igreja. É difícil retomar aquilo que eu tinha, e isso me incomoda – diz o ex-craqueiro.
Se pudesse voltar no tempo, Henrique sabe exatamente em que momento poderia ter revertido o rumo que sua vida tomou.
– O meu desejo era ter voltado aos 15, 16 anos. Meu desejo era que não tivesse acontecido nada disso – afirma o jovem, que aos 12 anos começou a fumar maconha.
Por causa da droga, levava objetos de casa e quando adolescente chegou a ser internado 45 dias no Centro de Internação Provisória (CIP), por furto.
– Mas isso faz muito tempo – comemora.
Questionado sobre o passado, o ex-viciado prefere voltar-se para o futuro e para projetos profissionais.
Henrique usou crack por mais de dois anos, diariamente. Antes de permanecer quatro meses em um centro de recuperação, passou 20 dias no Hospital Santo Antônio para desintoxicação. No começo do tratamento, a equipe do Conselho Municipal de Entorpecentes (Comen) e o pai do ex-viciado foram até a boca de fumo recuperar o violino que o ex-craqueiro havia entregue ao tráfico. O silêncio atual do instrumento é motivo de frustração para o jovem, que chegou a dar aulas particulares.
– O meu violino está estragado e não tenho condições de consertar. O que ganho hoje é para ajudar em casa – lamenta Henrique, que trabalha com eventos.
O nome do entrevistado foi trocado, em observância ao Guia de Ética, Qualidade e Responsabilidade Social da RBS
Autor: Mariana Furlan
Fonte: Jornal de Santa Catarina
Crack debatido com crianças em Três Coroas
Em Três Coroas, no Vale do Paranhana, a prefeitura resolveu se aliar à prevenção contra o crack empunhando a mais poderosa das armas: informação. No pavilhão da Escola Municipal Rui Barbosa, em Três Coroas, crianças e adolescentes cheios de dúvidas tiveram uma aula diferente e queriam saber tudo sobre o crack. No município de 23 mil habitantes, a secretária municipal de Educação e Cultura, Tânia Haack, determinou: não importa como, mas o assunto deve ser levado à sala de aula e alertar as 3,5 mil crianças de seis a 15 anos que estudam em uma das 10 escolas do município.
Em uma dessas palestras, realizada na semana passada, houve a presença de pessoas que tiveram experiências com a droga e estavam ali para contar o que viveram, o que instigou a curiosidade dos adolescentes da Escola Rui Barbosa.
– O crack está presente na sociedade e temos o dever de prevenir, de levar o assunto para a sala de aula – considera a secretária.
De acordo com especialistas, o foco da informação deve estar no alerta sobre as sequelas provocadas pela droga. Foi o que ocorreu na atividade promovida para a sétima série da Escola Municipal Frederico Ritter. Após ouvir relatos de experiências reais, as aulas de ciências foram reformuladas: os alunos passaram a estudar a influência das drogas no corpo humano.
Especialistas dizem que a escola tem um papel importante na prevenção, mas que é em casa que os pequenos devem ter esclarecidas as primeiras dúvidas.
Autor: Letícia Barbieri
Fonte: Zero Hora
