terça-feira, 23 de junho de 2009

Conheça mais sobre a Prevenção ao Uso Indevido de Drogas

Conheça mais sobre a Prevenção ao Uso Indevido de Drogas

Prevenir é saúde
Existem muitas maneiras do jovem se prevenir do uso de drogas, e é desejável que ele assim o faça. O estágio de desenvolvimento físico e mental do jovem o torna especialmente vulnerável aos efeitos negativos e perigosos que o uso de drogas podem trazer. A melhor maneira de não vir a ser um usuário de qualquer tipo de droga, é não experimentá-la. Manter-se firme no propósito de cuidar da sua saúde e não colocá-la em risco em função da curiosidade.
Para isso você precisa evitar o contato com a droga. Pesquisas mostram que jovens que usam drogas possuem mais amigos que também usam drogas dos que os jovens que não usam.
Isto é óbvio, pouca gente gosta de usar drogas sozinho.

Atitude
Os que agem assim, muitas vezes estão passando por um processo depressivo, uma fase em que se sentem tristes e angustiados, ou que está com tanta vontade de usar que não quer repartir com ninguém, ou ainda, por que têm medo de que as pessoas saibam que usam drogas ou vergonha do estado em que ficam quando intoxicados. Nesses casos, o uso de drogas pode piorar ainda mais o estado dessa pessoa, levando à depressão e ao isolamento ou à restrição das amizades àquelas pessoas que também usam drogas. Juntamente com uma intensificação da freqüência do uso levando a uma dependência daquela droga que ele tanto gosta de usar.

Dependência
A dependência de drogas é um estado terrível. É aquela fase em que a alegria e excitação da curiosidade é substituída pela necessidade e pelo sofrimento pela falta da droga. Sim, por que por mais que a pessoa use, chega uma hora em que ela tem que parar, por que tem que estudar, trabalhar, dormir, sair de casa. E ela aos poucos vai deixando estas outras coisas, que antes eram o centro da vida dela, e vai se afastando da família e vai se isolando. A vida deste jovem passa a ser conseguir dinheiro para comprar, depois arranjar um lugar para usar e curtir o barato e depois dormir para se recuperar e no dia seguinte começar tudo de novo. Nestas horas ela está precisando de um tratamento para parar de usar a droga, pois ela perdeu o controle e precisa de ajuda para recuperá-lo.

SE ESSA JÁ NÃO FOSSE UMA RAZÃO SUFICIENTE PARA ALGUÉM EVITAR DROGAS, HÁ OUTRAS AINDA MAIS CONVINCENTES

Intoxicação
Grande parte dos problemas relacionados ao uso de drogas são conseqüências do estado de intoxicação. Isto inclui sofrer e provocar acidentes, quedas, afogamentos; ter seu rendimento na escola ou no trabalho diminuído, envolver-se em brigas e na prática de sexo inseguro, forçar ou ser forçado a manter relações sexuais, sofrer uma overdose, suicidar-se e assim vai, uma série enorme de problemas e riscos. Fora os problemas com a família e com a justiça ou com o traficante.

Amigos
Isto não que dizer que você não deve deixar de ter amizade com alguém que use drogas, se a maior parte do tempo ele não está intoxicado, ele provavelmente age como qualquer outro amigo seu que não usa drogas. Você pode tentar ajudá-lo. Pode ser alguém que se deixou levar pela curiosidade. Converse com ele se ele sabe dos riscos que ele corre. As vezes ele está com algum problema que não esteja conseguindo lidar e esteja procurando uma forma de tornar as coisas mais suportáveis. Se for isso, você pode escutá-lo e ver se dá para ajudar de alguma forma. Dificuldades emocionais são comuns na adolescência. Você também passará ou está passando pelas suas. Agora você deve evitar de sair na balada com ele e sua turma, por que provavelmente vai ter droga e sempre tem alguém querendo que você experimente para ver qual é.

Ele, assim como você, se sente que está muito difícil de agüentar, procure seus pais, um amigo, um professor, o pastor, o padre, enfim, uma pessoa que você confie e fale das suas dificuldades, peça ajuda. Não pense que a droga vai te ajudar, ela pode até trazer uma alívio momentâneo mas não é a solução. E devemos aprender a lidar com nossos problemas, teremos que fazer isso nossa vida toda.

FATORES DO PRÓPRIO INDIVÍDUO

De proteção

De risco

Habilidades sociais

Insegurança

Cooperação

Insatisfação com a vida

Habilidades para resolver problemas

Sintomas depressivos

Vínculos positivos com pessoas, instituições e valores

Curiosidade

Autonomia

Busca de prazer

Auto-estima desenvolvida


FONTE

Neste quadro dá para ver que as pessoas que se integram mais ao grupo de amigos sem, no entanto, se deixar dominar pela opinião destes e que possui melhores sentimentos sobre si mesmas, acabam tendo menos chance de vir a usar drogas. Isto ilustra o que estávamos falando, o que traz a droga para perto é nossa curiosidade, nosso sofrimento ou nossa busca de um prazer que nos faça esquecer os problemas, as tristezas e a nossa insegurança.

Bem, já deu para entender que algumas características individuais podem facilitar ou dificultar que eu venha a mudar a minha idéia e tope experimentar alguma droga.

Mas temos que lembrar também, que as pessoas são diferentes não só porque nascem diferentes. Somos diferentes porque nascemos em famílias específicas e somos criados de acordo com os valores da nossa família. Então grande parte das nossas características e de como lidamos, inclusive com as drogas, vem da nossa educação em casa, na escola e na comunidade onde vivemos.

Família
Nossa família é muito importante em nossa formação educacional, moral e cultural.

Veja os jeitos que as famílias tem de funcionar que aumentam ou diminuem as chances dos filhos usarem ou não drogas.

FATORES FAMILIARES

De proteção

De risco

Pais que acompanham as atividades dos filhos

Pais fazem uso abusivo de drogas

Estabelecimento de regras de conduta claras

Pais sofrem doenças mentais

Envolvimento afetivo com a vida dos filhos

Pais excessivamente autoritários ou muito exigentes

Respeito aos ritos familiares

Famílias que mantêm uma “cultura aditiva” - Cultura aditiva é a forma de viver adotada por uma família que não suporta esperas. As resoluções são dadas como formas de impedir a reflexão.

Estabelecimento claro da hierarquia familiar

Pais que acompanham as atividades dos filhos

Pais fazem uso abusivo de drogas


FONTE: PREVENÇÃO DO USO INDEVIDO DE DROGAS: Fatores de Risco e Fatores de Proteção. Helena M. B. Albertani; Sandra Scivoletto; Maria de Lurdes S. Zemel

Escola
A escola também possui um papel extremamente importante em como você vai encarar a questão das drogas. Porque pode ser de vários modos, concorda? Você pode não querer usar drogas, mas nem por isso ter preconceito de quem usa. Você pode, o que é ótimo para se prevenir das drogas, se informar sobre elas. Saber dos seus riscos e reforçar sua convicção de que uma vida saudável é mais importante do que seguir um pequeno grupo que se arrisca sem pensar nos danos que está se provocando.

Estas são as características encontradas na relação que os estudantes estabelecem com a escolas e o risco de seus alunos usarem drogas.

FATORES NA ESCOLA

De proteção

De risco

Bom desempenho escolar

Baixo desempenho escolar

Boa inserção e adaptação no ambiente escolar

Falta de regras claras

Ligações fortes com a escola

Baixas expectativas em relação às crianças

Oportunidades de participação e decisão

Exclusão social

Vínculos afetivos com professores e colegas

Falta de vínculos com as pessoas ou com a aprendizagem

Realização pessoal

Possibilidades de desafios e expansão da mente

Descoberta de possibilidades (e “talentos”) pessoais

Prazer em aprender

Descoberta e construção de projeto de vida

FONTE: PREVENÇÃO DO USO INDEVIDO DE DROGAS: Fatores de Risco e Fatores de Proteção. Helena M. B. Albertani; Sandra Scivoletto; Maria de Lurdes S. Zemel

Evitando o primeiro uso
Alguns jovens, porém, já experimentaram drogas e outros são usuários regulares de algumas delas. Nestes casos prevenir não é mais evitar o primeiro uso, e sim evitar que este uso aumente e se torne mais intenso e prejudicial, ou diminuir as chances da pessoa vier a sofrer algum tipo de problema em decorrência do uso de drogas. Alguns usuários conseguem desenvolver uma relação de menos risco quando do uso da droga. Isto também é importante, informar-se implica em aprender em como diminuir ao máximo o risco de conseqüências desagradáveis em função do uso da droga. O exemplo mais claro desse pensamento é o “se beber não dirija”. Esta frase passa a ser importante principalmente após os 18 anos no Brasil, que é quando o jovem passa a ter o direito legal de comprar bebidas alcoólicas e a tirar carteira de motorista. Mas, lembre-se! ao estar no mesmo carro que alguém que bebeu e está dirigindo você está correndo os mesmos riscos que ele. Outro risco importante é o de contaminação por doenças que são transmitidas através dos apetrechos usados para consumir a droga, como seringas, agulhas, canudos etc. Sabe-se que as Hepatites do tipo B e C e a Aids podem ser transmitidas por esta via quando estes equipamentos estão infectados e são compartilhados pelas pessoas que usam drogas. Portanto, nunca compartilhe seringas, agulhas e outros equipamentos usados para usar drogas.

A quarta categoria de fatores importantes tem a ver com a relação que o jovem estabelece com as leis e com os valores sociais da sua comunidade.

VALORES SOCIAIS

De proteção

De risco

Respeito às leis sociais

Violência

Credibilidade da mídia

Desvalorização das autoridades sociais

Oportunidades de trabalho e lazer

Descrença nas instituições

Informações adequadas sobre as drogas e seus efeitos

Falta de recursos para prevenção e atendimento.

Clima comunitário afetivo

Falta de oportunidades de trabalho e lazer.

Consciência comunitária e mobilização social


FONTE: PREVENÇÃO DO USO INDEVIDO DE DROGAS: Fatores de Risco e Fatores de Proteção. Helena M. B. Albertani; Sandra Scivoletto; Maria de Lurdes S. Zemel

Pode-se notar no quadro acima que as pessoas que tendem a respeitar mais as leis e participar mais ativamente da comunidade onde vivem, apresentam um menor comportamento de uso de drogas.

Para finalizar gostaríamos apenas de reforçar a idéia de que a prevenção ao uso de drogas e suas conseqüências é sempre melhor e mais barato do que o tratamento. Ao cuidar da sua saúde e buscar ser uma pessoa informada e participativa na sua família, escola e comunidade você não estará ajudando somente a você, você será um exemplo para seus amigos e alguém que eles possam contar quando tiverem alguma dúvida e precisarem de orientação.

: PREVENÇÃO DO USO INDEVIDO DE DROGAS: Fatores de Risco e Fatores de Proteção. Helena M. B. Albertani; Sandra Scivoletto; Maria de Lurdes S. Zemel

Desconstruindo estereótipos e reconhecendo demandas

Desconstruindo estereótipos e reconhecendo demandas

Precisamos repensar, com todo cuidado, a relação entre drogas, violência e juventude considerando a complexidade que se coloca nesta questão.Apenas drogas e violência já é um tema carregado de representações sociais que necessitam ser desconstruídas. Vocês sabiam que as pesquisas em psicologia social apontam que o estereótipo do antigo binômio pobreza = violência foi substituido no imaginário social pelo estereótipo drogas = violência ?

Ainda temos um terceiro desafio que é a automática associação entre drogas e juventude e também entre violência e juventude. Com este discurso e por esta lógica simplista acabamos colocando uma marca negativa na juventude brasileira: basta ser jovem para ser ou drogado, ou violento ou ambos drogado e violento.

Identificamos como especialmente tendenciosa e falsa a pergunta: - os jovens estão tão violentos porque se drogam? Ou (pior ainda) – se drogam porque querem ser violentos?

Neste momento histórico em que o Governo Federal dirige-se aos jovens, através da SENAD neste Mundo Jovem, a primeira palavra que dirigimos aos jovens brasileiros leitores desta página é de que acreditamos em sua força transformadora, em sua luta por um mundo melhor e pela construção de um Brasil cada vez mais brasileiro. Saibam que enquanto nos países do primeiro mundo a juventude é uma categoria dentre as minorias, no ano de 2007, no Brasil, a população de jovens será a mais numerosa e isto representa uma imensa força: a força jovem que representa o nosso grande capital e que, portanto, deve constituir o grande investimento de nossas politicas públicas. E é neste espírito que me dirijo em primeiro lugar aos jovens, mas também aos profissionais e, em especial, aos gestores das políticas publicas com este convite e apelo: vamos mudar esta mentalidade que associa juventude a drogas e violência e reconheçamos nos jovens o que este País tem de melhor!

Neste contexto, sim, pensemos , e muito seriamente: Como ajudá-los a enfrentar todos os apelos e mesmo a imensa pressão existente na nossa sociedade para o consumo de drogas? Esta é a verdadeira questão: Como diminuir os apelos da cultura aditiva e da cultura de violência que caracterizam a sociedade atual? Refiro-me, aqui, às tantas violências as quais os jovens estão expostos no seu percurso cotidiano: a violência da mídia que transmite informações enganosas e trazidas pelos seus próprios ídolos; a violência da falta de controle na compra das drogas lícitas; a violência do mercado de distribuição das drogas ilícitas que os recruta sutil e irremediavelmente para o mundo do tráfico- onde desnecessário dizer- a violência é a lógica e a cultura vigente.

Penso que a primeira violência a ser combatida é a do discurso da juventude violenta e drogada que gera distanciamento dos jovens, impedindo que os conheçamos em sua natureza sonhadora e que os comprendamos em suas expressões por mudanças.

Em minha experiência como terapeuta de adolescentes e como pesquisadora na área, estou convencida que o jovem ao buscar as drogas tem uma demanda e esta não é de destruição nem de si mesmo e nem do outro ou da sociedade. Não acredito que a drogadição, mesmo em seu grau mais comprometido, seja um comportamento destrutivo. Reconheço no ato de drogar-se o valor de um ato que tem um sentido o qual precisa ser reconhecido e conhecido: em primeiro lugar pelo próprio usuário (seja ele jovem ou adulto), mas também por aqueles que o cercam. Quando nos debruçamos sob este prisma da compreensão e do valor deste sintoma como comunicação - geralmente bloqueada por outras vias - já fizemos a mudança necessária e passamos a estar de outra forma com o jovem: como um sujeito que nos demanda, que nos pede que nos fala de si e de nossa relação com ele.

Compreender e atuar nesta área nos exige, antes de tudo, um crédito nos potenciais da juventude e um compromisso com eles na busca dos seus sonhos. Mas quais são os sonhos da juventude brasileira?

Pensemos: será que esta anestesia com as drogas, em vez de uma busca pela violência ou de uma alienação face às dificuldades que enfrentam, não seria um grito de alerta para que os adultos reparem melhor nas suas necessidades e anseios? Pensemos diferente: consumir drogas não é uma doença; é, antes, um sintoma. Um sintoma é um sinal; é uma comunicação; seria como a febre que nos indica que algo não está bem. Neste sentido não é uma doença. Não é um problema mas é uma equivocada busca de solução . Neste sentido, buscar drogas seria uma espécie de febre da alma ou do coração ou da emoção.

Se pensamos de forma diferente, percebemos diferente e podemos, então, agir de forma diferente: visualizamos, assim, uma postura mais clínica e compreensiva e a pergunta já é outra: - Do que sofrem os jovens que buscam as drogas? O que reivindicam? Quais denúncias expressam através deste ato? Por quais mudanças estão lutando? Para desafiar os próprios jovens leitores do Mundo Jovem, lanço a minha hipótese: os jovens denunciam a violência vivida em seu dia que pode ser em diferentes níveis e de naturezas diversas. Finalizo desafiando os leitores a prosseguirem nesta reflexão levantando suas próprias hipóteses sobre quais seriam as violências vividas que justificam a demandas dos jovens pelas drogas e sua relação com as tantas violências das quais são alvo, mas não são apenas vítimas pois que estão reagindo.

Maria Fátima Olivier Sudbrack
Doutora em Psicologia ( Université de ParisXIII) e Pós-doutora em Psicossociologia ( Université de Paris VII)
Professora Titular do Departamento de Psicologia Clinica/Instituto de Psicologia /Universidade de Brasília
Pesquisadora do CNPq
Coordenadora do PRODEQUI- Programa de Estudos e Atenção às Dependências Químicas/PCL/IP/UnB
Psicóloga clinica, terapeuta de familias e de adolescentes

perguntas e respostas?

A tarefa de definir adicção tem desafiado médicos, juízes, padres, adictos, suas famílias e as pessoas em geral, por toda a história. Existem tantas definições potenciais quanto existem grupos com interesses em definir adicção. A questão, inclusive, começa logo ao se nominar a doença: dependência química ou adicção, dependentes químicos ou adictos. Não importa, a verdade é que essas definições enfatizam coisas tais como dependência fisiológica, dependência psicológica, dinâmica familiar, problemas comportamentais e moralidade. Esta lista poderia ser bastante incrementada, e qualquer um poderia chegar com sua própria definição e acrescentá-la à lista. Ainda assim, definir adicção para mim é sem dúvida importante para o processo de recuperação. Afinal de contas, no Primeiro Passo admiti impotência perante ela. Esta admissão é a fundação sobre a qual minha recuperação é construída. Então a pergunta "O que é Adicção?" é, de fato, relevante.

Neste questionário, vou tentar responder a esta e a outras perguntas relativasà adicção.

Existem pelo menos três tipos de usuários de drogas:

O usuário leve

. O usuário leve é alguém que usa drogas apenas por brincadeira, influência de " amigos", protesto contra alguma situação familiar etc. Ele não se deixa levar pelo ambiente da droga. Trabalha e/ou estuda normalmente, cria raízes, implanta família. Quando chega o momento de assumir suas responsabilidades diante do contexto social, simplesmente abandona as drogas.

O dependente psicológico

. O dependente psicológico tem efetivamente alguma dependência. Mas consegue abandonar o uso com relativa facilidade depois de uma terapia médica e uma desintoxicação. Muitos fazem esse desligamento através da entrega de sua vida ao Senhor.

O dependente químico (adicto)

. Quanto ao dependente químico, ou adicto (denominação preferida pela instituição Narcóticos Anônimos), a situação se complica. É portador de uma doença chamada dependência química, progressiva, incurável e fatal, conhecida também como adicção: tem obsessão para usar a primeira dose e, quando o faz, passa a sofrer de compulsão (não consegue mais parar). Deixa a droga influir em sua vida, coleciona fracassos, tem depressão, tenta o suicídio, envolve-se em crimes e falcatruas. É com ele que nos preocupamos. Mas antes de chegar ao ponto principal, achamos conveniente fazer alguns esclarecimentos:

1. Quais são as instituições envolvidas com a programação dos 12 Passos?

a. a primeira e mais antiga é a dos Alcoólicos Anônimos (AA). Destinado especificamente ao dependente químico, ou adicto, que teve envolvimento com a droga lícita - álcool.

b. a segunda é o Al-Anon . Existe para cuidar dos familiares do dependente químico de álcool.

c. uma terceira chama-se Narcóticos Anônimos (NA), com o objetivo de ajudar os dependentes químicos ou adictos que usem abusivamente qualquer tipo de droga.

d. a quarta chama-se Nar-Anon e destina-se aos familiares (ou co-dependentes, num linguajar mais técnico) de quem usa abusivamente qualquer tipo de droga.

2. Qual a diferença entre AA e NA?

O AA reconhece a existência apenas de uma doença presumivelmente chamada de alcoolismo. Para a irmandade, tratar do alcoolismo é o bastante. Já o NA reconhece a existência de uma doença chamada DEPENDÊNCIA QUÍMICA, que, entre outros sintomas, apresenta o do USO ABUSIVO DE DROGAS - aí incluída a droga lícita (álcool) e as ilícitas (maconha, cocaína, etc). Importante frisar que NA considera droga até o tranquilizante - desde que sob uso abusivo e sem motivação médica comprovada. Para o NA, a dependência química tem outros sintomas - o mais comprovado é o desvio de caráter.

3. o que é a dependência química (adicção)?

É uma doença com raízes mental (obsessão) e física (compulsão). Atua em todas as áreas (física, mental e espiritual) do indivíduo. A dependência química/adicção é progressiva, incurável e de determinação fatal. Progride mesmo quando o dependente químico/adicto não está "na ativa"- ou seja, quando não está usando drogas. O dependente químico/adicto em recuperação consegue apenas estacionar a doença, nunca curá-la. E a doença mata degradando - acidentes de carro, suicídios, assassinatos. Quem não morre tem como outros destinos a prisões ou o hospício.

4. A dependência química/adicção é adquirida ou hereditária?

Nenhum estudo conseguiu comprovar a origem da doença. Há pouco tempo, um pregador brasileiro declarou sua satisfação de ter recebido uma educação evangélica - que, segundo ele, evitou seu envolvimento com drogas. É um grave equívoco, nos centros de recuperação existem dezenas de filhos e filhas de pastores que, apesar da educação severa, envolveram-se com drogas por causa da doença. Assim como existem milhares de lares desajustados onde, apesar de todo o sofrimento, não existem dependentes químicos/adictos.

5. como explicar o modus operandi de um dependente químico/adicto?

Há uma mulher muito bonita numa praia. Sozinha. O homem normal olha para a mulher, sente desejo por ela, pensa em assediá-la. Mas raciocina, lembra que ela pode ter namorado, noivo, marido. Acha melhor ir embora pra não se envolver em confusão (Reflexão e ação).
O dependente químico/adicto olha pra mulher, sente a obsessão e parte para o assédio, impulsivamente. Só depois é que vai pensar na conseqüência de seus atos (Ação sem reflexão).

6. o que são os 12 Passos?

As quatro irmandades paralelas aplicam uma terapia chamada de Programação dos 12 Passos. O dependente/adicto pratica cada um dos passos, um por um ou paralelamente, conseguindo ficar limpo (sem usar drogas) um dia de cada vez. Na Programação de 12 Passos, o dependente químico/adicto assume consigo mesmo o compromisso de ficar sem drogas apenas 24 horas de cada vez. Não existe passado ou futuro. Só o hoje. Um dos slogans mais conhecidos é "só por hoje nunca mais".

7. Todos são obrigados a praticar esses 12 passos?

Na programação ninguém é obrigado a nada. Tudo é apenas sugerido. Ninguém tem que dar satisfações a ninguém. Só a si mesmo. Se alguém entrar na programação para agradar ao pai, mãe, mulher, marido, a quem quer que seja, muito provavelmente recairá. Só consegue ficar limpo quem tem compromisso com si mesmo. Só por hoje.

8. Quem dirige AA e NA?

Ninguém. São as únicas organizações com estrutura administrativa baseada no anarquismo político que realmente deram certo. Não há chefes, nem diretores, nem gerentes. Quem manda é a consciência coletiva - um colegiado com todos os membros - e, acima dela, Deus. Para ser membro de AA ou Na basta querer parar de usar. Não precisa dar nome, endereço, nada. Não existem fichas ou cadastros. Ninguém fala em nome das irmandades. Qualquer posição é pessoal.

9. Qual a religião de AA e NA?

Não existe. As irmandades são espirituais, mas não religiosas. Os 12 passos falam de um Deus, mas "da forma como o adicto o compreende". Para evitar debates teológicos ou até mesmo fundamentalistas, as irmandades chamam Deus de "Poder Superior". Mas o segundo, o terceiro e o quarto passos recomendam uma aproximação maior com Deus. A programação deixa claro que sem Deus não existe recuperação.

10. Todo mundo que usa droga é dependente químico?

Não. Embora a programação limite-se a cuidar de quem é dependente químico/adicto, a experiência mostra que existem três formas de convívio com a droga:

- nenhum convívio. A pessoa nunca experimenta a droga ou, depois de experimentar, prefere outros caminhos.

- convívio por vício. O indivíduo tem uma dependência física ou emocional, que consegue deixar depois de um tratamento terapêutico ou mesmo porque resolveu mudar de vida.

- convívio por dependência química/adicção. O dependente/adicto não consegue deixar a droga, precisa de uma terapia específica - normalmente, só a programação de 12 Passos consegue estacionar a doença dele.

11. Como saber se alguém é dependente químico?

Embora existam sinais claros, AA e NA preferem que o próprio dependente reconheça esse fato. Admitir que tem a doença é o Primeiro Passo de um adicto. Eu não posso dizer que alguém é adicto. Só posso dizer que eu sou...

12. Como levar alguém para NA ou AA?

Preferencialmente, de forma alguma. O próprio dependente químico/adicto deve reconhecer sua necessidade de procurar uma irmandade. Só se dá ajuda a quem pede ajuda. Se eu não quiser ajuda, ninguém poderá fazer nada.

13. Al-Anon e Nar-Anon ajudam a cuidar de um adicto?

A doença é contagiante. Um familiar acaba adquirindo hábitos e comportamento de um dependente químico/adicto. As duas irmandades ensinam o familiar a cuidar de si próprio para não sofrer tanto com o adicto. Agora, claro que, frequentando uma irmandade, o familiar acaba descobrindo a existência da doença, como se manifesta e, assim, acaba também por agir de forma diferente junto ao dependente. E no final influi na decisão de o dependente procurar ajuda também.

Faz tempo que o problema existe

Zero Hora
11 de julho de 2008 | N° 15659

As pedras rolam para o Interior

A família concluiu que o jeito de afastar o adolescente do crack seria despachá-lo a uma comunidade interiorana onde a droga não existisse. A culpa, pensavam, era da cidade de médio porte onde viviam. Uma área rural perdida no limite entre Muçum e Roca Sales, no Vale do Taquari, foi escolhida como novo lar do garoto. A iniciativa serviu apenas para a família descobrir que não há mais como se esconder do crack no Rio Grande do Sul. Muçum, 4,6 mil habitantes, tinha um ponto de venda da droga. Roca Sales, 9,9 mil habitantes, estava assolada pela pedra. Entre os roçados e as criações de animais do sítio do avô, o adolescente de 17 anos recaiu no vício.

- Os piás usam direto - contou o garoto.

O crack penetrou em todos os rincões gaúchos uma década depois de chegar ao Estado. Levantamento feito pela Brigada Militar a pedido de ZH para a série A Epidemia do Crack mostra que entre março e maio houve apreensões da droga em todas as regiões. Municípios pequenos e antes tranqüilos foram convulsionados quase da noite para o dia pela invasão da pedra.

Roca Sales é um exemplo do que as comunidades estão enfrentando por todo o Rio Grande. No município, é um desafio encontrar quem não tenha uma história de parente ou vizinho tragado pelo crack ou dos furtos que se multiplicaram para financiar o vício. No ano passado, depois da entrada da droga, o número de ocorrências dobrou em relação ao normal.

- O crack tomou a cidade - contou um morador de 28 anos que se viciou e hoje está internado.

Usuário de cocaína e maconha, ele havia conquistado a estabilidade com o casamento e o emprego de supervisor em uma fábrica de solas de calçado. Um ano e meio atrás, por curiosidade, comprou o recém-chegado crack em uma boca-de-fumo da cidade. Teve de aprender com traficantes como fumar a pedra. A partir dali, viveu para a nova droga. Sem dormir nem comer, perdeu 23 quilos, não conseguiu mais trabalhar, viu a mulher ir embora e deixou de ter prazer em brincar com as filhas, de três e seis anos:

- Virei 25% eu mesmo e 75% crack. Achava que iria morrer.

Enquanto o supervisor afundava em sua tragédia particular, a cidade sucumbia ao mesmo mal. O epicentro do problema é o Loteamento Sete de Setembro. Foi por lá que a pedra entrou e provocou efeitos devastadores. Dos amigos do supervisor, muitos naufragaram. Uma conversa de portão entre três vizinhas da rua onde ele morava revela a extensão do caos: uma têm um filho preso por assalto motivado pela droga e outro tentando se livrar do crack, a segunda já teve de internar os dois filhos por causa do vício e a terceira lamenta o fim do sobrinho que, devastado pela pedra, enforcou-se. Enquanto conversam, passa um rapaz franzino.

- Aquele lá usa direto. Era gordo... hoje nem trabalho tem - aponta a moradora.

Com o crack, acabou-se até a tranqüilidade de deixar as roupas estendidas no varal ou cadeira na frente da casa. Tudo virou moeda para comprar droga. Vizinhos saqueiam vizinhos e depois oferecem a outros vizinhos os objetos furtados.

- Pedem R$ 10 por um cobertor. Ou pedem dinheiro, e a gente acaba dando. Se negar, podem te roubar ou fazer coisa pior - conta uma moradora.

A prefeitura montou convênios com clínicas, mas os dependentes recusam tratamento. A secretária de Saúde, Clorinda Togni, contabiliza apenas nove pacientes encaminhados. Três seguem internados. Seis desistiram. A prefeitura prepara um programa de prevenção. Um usuário de crack de 16 anos que ameaçou a professora de morte sob o efeito da pedra é um dos que recusaram internar-se.

- Não conheço o lugar. Não vou - respondeu o adolescente.

Por causa da onipresença da droga em Roca Sales, um viciado preparava a mudança para uma cidade ainda menor, Dois Lajeados, de 3,3 mil habitantes. Ele acredita que a distância é sua única chance:

- Aqui, se não usar, vão dizer que sou alcagüete.

Esse é o cenário que aguarda o supervisor de 28 anos quando ele deixar a comunidade terapêutica onde está internado. Ele se diz confiante e faz planos de abrir uma filial do Narcóticos Anônimos em Roca Sales para ajudar os mais de 30 amigos com quem fumava e os muitos que se viciaram depois. A família teme por seu futuro.

- Vai ser difícil. Roca Sales está tomada. É uma cidade tão pequena que nem restaurante para a gente comer tem. Mas droga não falta - lamenta a irmã de 25 anos.
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Ao matar seus demônios, cuidado para não destruir o que há de melhor em você.

crack

A saída existe

Na última reportagem da série 'Epidemia do crack', você vai ver o longo caminho da recuperação e conhecer as duas linhas de tratamento no Brasil, a abstinência e a redução de danos.

Patrícia Carvalho - Direção

César Menezes - Reportagem

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Quando surgiu o crack, nos anos 1990, dizia-se que era uma droga capaz de matar o usuário em poucos meses. Na verdade, o crack não mata diretamente, mas coloca o dependente num mundo de brutalidade e violência.

Na última reportagem da série Epidemia do crack, o repórter César Menezes foi atrás dos caminhos para recuperar viciados. As saídas existem.

Mal se vê a mancha no cartão postal. Pelourinho, símbolo de Salvador. Vale do Anhangabaú, coração de São Paulo.

Escondidos nos cantos, meninos sujos, cinzas, invisíveis porque a vontade de não ser visto combina com a vontade de não ver.

O crack invadiu o já degradado centro de São Paulo, criou um parque de diversões maldito para crianças marginalizadas. Pela TV o Brasil tomava conhecimento daquela invenção da metrópole: a cracolândia.

Quatorze anos se passaram, voluntários fizeram trabalhos sociais, casarões que eram usados para o consumo da droga foram desapropriados e demolidos, e nada disso foi capaz de acabar com a rua do crack.

Aquela geração de dependentes cresceu, teve filhos e foi substituída por uma nova geração de usuários. A Rua dos Protestantes continua recebendo crianças e adolescentes que vem aqui consumir a droga e o mais grave é que a cracolândia não fica apenas nesta rua, ela cresceu, deixou de ter endereço fixo, tornou-se um problema muito maior.

É um jogo de gato e rato. Na semana passada o SPTV e o Jornal da Globo denunciaram o consumo aberto de crack no novo centro financeiro de São paulo, o bairro do Brooklin, no dia seguinte a prefeitura reocupou o terreno. A polícia prendeu usuários, mas a cracolândia apenas atravessou a rua.

Para um psicóloga com tese de doutorado sobre usuários de crack a repressão policial tem seus limites. “Não adianta destruir a cracolândia. Não é assim que a gente vai resolver o problema social do crack. Quando nós conseguimos pegar parte daqueles meninos e reeducá-los, eles vão parar de fumar crack, na hora em que eles tiverem uma boa escola, quando tiverem um bom lugar para ficar, na hora em que eles tiverem algo para fazer, além de fumar crack, com certeza muitos vão abandonar o uso do crack”, afirma Andréa Domânico, psicóloga e doutora pela UFBA.

O contato dessas crianças com o mundo atende apenas a urgência de conseguir a próxima pedra de crack. “Não é mais o ritmo da criança, começa a ser o ritmo da droga. Então o dormir, fumar, dormir, fumar, começa a funcionar um pouquinho em função disso”, fala Fernanda Sato, educadora.

Devolver a infância e o vínculo com a família é tarefa difícil. É a missão da ONG Quixote, que começou a trabalhar nos anos 1990 com meninos de rua.

“Tem uma frase muito famosa do Quixote que é: ‘Criança prefere empinar pipa, do que pipar crack’, e você começa a criar uma relação de troca mesmo, ele é criança, ele tem desejo de criança que foram esquecidos”, diz um educador da ONG.

No Brasil, o tratamento do usuário segue duas linhas a abstinência ou a redução de danos.

O plástico ganha nova forma. Vira mesa, banco, caixa. A vida recupera o senso de utilidade.

"Ver a nossa auto-estima renovada, pegar o lixo lá e de repente você vê que tudo aquilo foi do seu suor", fala um interno.

Antes de completar 25 anos, esse outro dependente conheceu o inferno.

"O crack é uma droga que não tem fim. Cheguei muitas vezes a me envolver com homossexual pra arrumar dinheiro pra usar o crack", revela outro interno.

Ele buscou ajuda na 'Fazenda da Esperança', uma instituição católica dedicada à recuperação de dependentes químicos. O trabalho feito na instituição ganhou projeção mundial na visita do Papa Bento XVI ao Brasil.

"A Fazenda da Esperança, se fundamenta num tripé, o trabalho, a espiritualidade e a convivência, o ambiente família entre nós", diz Vinícius Gouvêa, responsável / Fazenda da Esperança.

O trabalho de recuperação feito na Fazenda da Esperança tem uma regra inflexível: a abstinência.

Drogas, álcool e cigarro são proibidos. Apesar do isolamento com o mundo, a fazenda mantém os portões sempre abertos. Mesmo no campo basta uma caminhada de menos de 500 metros por uma estradinha de terra para conseguir tudo o que o vício exige. Mas eles sabem que não sair significa transformar em realidade a decisão de vencer o crack.

Mais de dois mil dependentes são tratados atualmente em 52 fazendas da Esperança no Brasil e em mais seis países.

A internação tem um período mínimo de um ano. Sessenta por cento abandonam o tratamento rígido. Entre os que o completam, o índice de recuperação passa de 70%.

"Tô aqui há oito meses”, conta um interno.

“Saiu do crack? Venceu o crack?”, pergunta o repórter.

“Eu acredito que sim, espero nunca mais voltar, de jeito nenhum", diz ele.

A dependência criada pelo crack é tão forte que muitas vezes é impossível exigir abstinência. Uma outra forma de combater o consumo é tratar a saúde do usuário. É a redução de danos. Uma das primeiras experiências do Brasil foi no Pelourinho, no centro histórico de Salvador.

Nossa presença não interrompe a rotina do vício. “Queima e fuma. É o momento de eu dar um pau e a reação", diz um usuária.

Ela reconhece os agentes da 'Aliança de Redução de Danos', um serviço de extensão permanente da faculdade de medicina da Universidade Federal da Bahia.

O preservativo é o cartão de visitas. "É o primeiro contato, porque a pessoa, geralmente sobre o uso abusivo, geralmente faz sexo assim, livremente, e pode pegar HIV, hepatites virais, outras DSTs", fala Benimário Silva, agente de Redução de Danos.

A conversa nas ruas não pede o abandono do vício. A primeira conquista é a confiança. "Quando você adquire confiança, você abre possibilidade pra inúmeras coisas, inclusive de parar de usar drogas, se for opção dele", comenta Marcos Manso, agente de redução de danos.

O conceito de redução de danos é controverso. Mas é uma das políticas apoiadas pelo Ministério da Saúde. “Os projetos de redução de danos eles têm um acesso privilegiado em relação a estas pessoas e certamente é uma prática que o Ministério da Saúde apóia”, declara Francisco Cordeiro, ass. Saúde Mental - Ministério da Saúde.

As experiências de redução de danos do Brasil fazem parte de uma rede que dá apoio a quem decide a reconstruir a vida.

Que futuro uma mulher viciada pode dar a um filho? No projeto 'Lua Nova', em Araçoiaba da Serra, interior de São Paulo, o vínculo materno reescreve o futuro dos dois.

"Um filho traz pra gente algumas obrigações. Vá trabalhar porque é uma criança, sozinho, ele precisa de você, olha como você é importante, tem alguém no mundo que precisa muito de você", conta Ana Luiza, coordenadora da ONG Lua Nova.

A necessidade de oferecer abrigo, comida e trabalho diminui a importância da droga. Entre a vida e o vício, Ester escolheu o filho escreveu o nome dele em cima da porta da casa que construiu com as próprias mãos. E lá dentro, em cada detalhe, em cada gesto aprende a ser o que nunca sonhou: uma boa mãe.

"Saber que tem um teto pra poder ficar embaixo, um teto pra se aquecer, um lugar pro meu filho crescer, é isso que faz a gente mudar, né? Eu amo muito meu filho, acima de tudo!”, diz a mãe e ex-usuária.